Quem poderá ouvir seu grito de misericórdia?
Quem o socorrerá no tormento?
Se todas as vozes lhes são contrárias
A massante vida de não saber de seus direitos

Sempre vigiado por olhos sanguinários
Esperando um só vacilo
Pra o caçar por todos os lados
Aonde achar abrigo?

Alguém se possibilita em ser seu amigo?
Porque todos os sorrisos a sua volta são amarelos
Um tapa nas coisas, um aperto camarada
E ninguém pra satisfazer seu anelo.

Será que os turnos serão tão agustiantes?
Será que não enchergaram sua labuta
Os dias passam tão intermináveis
O leão na sua frente, e a luta.

Eles não sabem o quanto se esforçou
Para ser o que ainda não era
Não o recompeçaram do que fez
Só ouviu os elogios de quem erra


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
Meu tempo é quando.

Vinícius de Moraes

Esse foi o diaEu falo do dia
Aquele que os pássaros cantavam mais lindo
E as árvores balançavam na melodia

Estávamos a conversar pela praça
Você tropeçou e sorriu
És imperfeita como eu
Vivo a cair por tanto tropeçar

Se sentiu a vontade e expôs o seus defeitos
Os defeitos mais normais possíveis
As esquizofrenias mais bobas
As dificuldades tão tolas

Como o seu coração é lindo
Das intenções mais inocentes
Tão doce e sensível o seu dom
Tão apaixonada no seu Criador

Trocamos algumas admirações
Me surpreendi com sua sinceridade
Não paga o mal com o mal
Fica calada diante a vozes gritadas

De tão nobre que é
Queria te chamar de princesa
Te botar um vestido da cor que preferir
Rosa, branco ou turquesa

É tão frágil e pateta
Ao mesmo tempo, esperta e guerreira
Talvez fosse isso em que me apaixonei
Tudo isso somado com sua beleza

Ao longe no horizonte
O sol já estava sumindo
E com ele, o nosso dia ia se indo
Um gesto distante
Vi você sorrindo
Depois de ter conversado bastante
Eu estava partindo.

Seu rosto se emagreceu de tristeza
A saudade bateu no peito
- "Não vá. Está cedo. Fique mais um pouquinho?"
- Não se preocupe, amanhã nos encontramos.

Mais que alegria
Esses encontro virou monotonia
Foram assim por mais 2 dias
Você agora é minha rotina

No terceiro dia, te encontrei por acaso
Eu estava a caminho do almoço
E você a fazer um trabalho
Nos falamos rapidamente
A pressa foi pertinente

Naquela tarde não nos encontramos
Eu não sei o que aconteceu, fiquei esperando
A cada cabelo negro, atraia a atenção do meu olhar
Nunca era você
Esperançoso fiquei. No outro irei te encontrar

Mas esse dia te encontrei ocupada
Tão distraída, não quis atrapalhar com minha chegada
Mesmo assim te cumprimentei, não sei se me escutou
Sumiu, e não disse nada.

Agora me pergunto onde está você?
Onde está você, oh minha amada?
Por que some assim tão de repende
E depois nem vem me dizer nada?

Aqui passo o meu tempo
Fazendo poesia por tanto lamentar
Minha inspiração vem da dor, eu entendo
Do momento tão tenso de esperar


Rodrigo Melo

Estou triste, a ponto de morrer
Minhas tentativas de me curar se cessaram
Minhas feridas não cicatrizam
Apenas se encobrem

Por dentro, só puz e vermes.
Se alimentam da minha fraqueza
Da minha absoluta incerteza
- Não me comam vivo!

O sangue de tanto derramar
Se secou tirando-me a vida
A tristeza, a angústia e a dor
parece ser minhas cenas vividas

O que pode me satisfazer
Tudo parece ilusão
Se perco se ganho, quem vai saber?
Aos poucos se desvalece o meu coração.

Os meus gritos por socorro
Não soam um só vibrado
Todos me olham como normal
Ninguém sabe do meu desamparo

Minha mãe sempre doce
Me chega como afago
Mas eu a olho e disfarço
Dou-lhe um beijo amargo

Matei todos os meus Heróis
Por que nenhum teve o poder de me salvar
O buraco do meu peito é tão grande
Só alguém muito poderoso pra entrar

Alguém mais forte que eu
Alguém invencível, potente
Alguém perfeito, puro
Alguém que também me entende

Nessa condição fui achado
Procurando migálhas, restos mortais
Mendigando, pedindo ajuda
lavagem, pão, alguém pra me entregar

Só o conhecia de ouvir falar
Me disseram que ele faz barganhas
Um ser apaziguador que passa a mão na cabeça
Não corrigindo ninguém das constantes artimanhas

Já me disseram que ele é um delírio
Outros disseram que é um tirano
Mas o que enxeguei depois do colírio
Foi A Perfeição do Ser-Humano

Ele não é desse tempo
Veio de todos os tempos
Veio de carne de espírito
Sentia alegria e lamento.

De um jeito tão simples
Eu passe a morar nele, e ele em mim
Tudo o que era dele, era meu
Tudo que eu era, não era tão bom assim

Rodrigo Melo
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